
Ao chegar à universidade, a maioria dos caloiros pensa que é mais do que os outros. Que merecem algum estatuto especial só porque estão a estudar para serem doutores.
Pois se eles pensam isto, coitados...
Já lá estavam outros antes deles chegarem.
E não gostam nada de engraçadinhos...
Caloiro NUNCA tem piada, mesmo quando tem graça.
Para que o recém-chegado se ambiente correctamente à universidade, os doutores da praxe preparam todos os anos a Recepção ao Caloiro.
Esta é uma prática que tem sofrido adaptações ao longo dos tempos.
Longe vão os tempos do Canelão, em que se formavam na Porta Férrea, em Coimbra, duas filas de estudantes no meio das quais teriam que passar os caloiros. Ao passarem, eram sujeitos, tal como o nome indica, a caneladas (pontapés nas canelas).
Mas era costume estas praxes irem mais longe. Algumas testemunhas afirmaram não ser raro dar umas solhas (chapadas no cachaço), bater-lhes com a Pasta, a qual se encontrava frequentemente recheada com uma tábua, e mesmo chegar a partir umas pernas aos caloiros.
Este arcaico e violento tipo de recepção já caiu em desuso, para felicidade dos caloiros. Actualmente, a recepção costuma ser amigável, pretendendo integrar o recém-chegado no meio académico, promovendo variadas situações de convívio.
Se a Recepção ao Caloiro significa dar-lhe as boas-vindas à sua «nova casa», não fará muito sentido agredi-lo fisicamente, pois não?
Normalmente, o gozo ao caloiro não excede as brincadeiras com ovos e farinha, as «missões impossíveis», as declarações amorosas a quadrúpedes e as sessões de aeróbica para caloiros.
Para impor respeito, não é necessário recorrer à violência. Não gostariamos que «andassem com os caloiros ao colo», de modo nenhum! Mimá-los, nunca!
Apenas nos agradaria que acabassem com as faltas de respeito e com as agressões plenas de cobardia vindas de indivíduos que à falta do domínio da palavra, usam a força.
Algo que nos faz muita confusão são aqueles que descarregam nos pobres recém-chegados todas as frustrações do mundo.
É incrível o ódio que nutrem pelos caloiros.
Normalmente, são indivíduos que ou sofrem de graves perturbações, ou tiveram uma má instrução praxística, ou então são pessoas que nem sequer foram submetidos à Praxe e que querem praxar.
Gostariamos de lembrar a todos os doutores da praxe que também já foram caloiros, e que também não gostariam de ser mal tratados ou desrespeitados enquanto pessoas.
O respeito tem de ser mútuo.
Só assim é possível uma salubre transmissão das Tradições Académicas de geração em geração.